Pais e Filhos admin em 27 Mai 2008
DIVÓRCIO x FILHOS
O divórcio dos pais é sempre um grande desafio para os filhos. Quantos sentimentos de medo, angústia, abandono são vividos por essas crianças que vivem a realidade de um lar desfeito. Mas esse é apenas um dos desafios possíveis de serem vividos por um ser humano, que se tornou mais visível para uma sociedade que vive a realidade do divórcio como algo próprio de um tempo moderno.
Mas não se pode transformar esse desafio numa sentença perante a vida da criança, nem dramatizar exageradamente uma situação que pode ser vivida como um tempo novo dentro da família. O que muitas vezes acontece, são sentimentos de culpa por parte dos pais, comprometerem o seu empenho educativo na relação com o filho. Diante da separação, muitos se vêm a tomar atitudes compensatórias, na tentativa de amenizar o impacto desta decisão no emocional da criança. Com certeza as atitudes compensatórias e super-protetoras que são tomadas, tendem a prejudicar muito mais do que a separação propriamente dita. O divórcio não justifica, por parte dos pais, o afroxamento de limites ou a permissividade desmedida.
Diante deste quadro a criança, ou o adolescente, vê como muito proveitosa a sua atitude revoltada ou traumatizada, o que alimenta um círculo vicioso que acaba levando a conclusão de que o divórcio realmente foi de uma violência extrema para o emocional da criança. Não quero aqui dizer, que essa situação não contenha em si a sua dificuldade. Com certeza tem, mas a situação de culpa paterna que se cria, tende a perpetuar um trauma para o resto da vida de uma pessoa, que pode apoiar neste único fato a responsabilidade pelo seu infortúnio futuro. Se fosse assim, não estariam muito mais incapacitados para vida aqueles filhos cujos pais morrem prematuramente? Ou aqueles acometidos por doenças graves que demandam anos de tratamentos dolorosos? Mas o que se percebe hoje, é a responsabilização do divórcio pela falta de educação de toda uma geração. Ver aquele filho como extremamente frágil e suscetível a tudo, leva a um exagero da compensação pela separação e também num excesso de permissividade, justificada no possível trauma que tal situação possa ter causado no pequeno ser.
É urgente que nossa sociedade assuma a realidade do divórcio como uma de tantas fatalidades que podem acontecer na vida de qualquer ser humano, para que o tom excessivamente dramático seja retirado desta situação hoje tão corriqueira. Assim, poderemos lidar com mais naturalidade com esse assunto, mantendo em relação aos filhos a mesma postura e a mesma credibilidade, mostrando desta forma, que todos são capazes sim, de superar e viver em paz, harmonia e felicidade, apesar do divórcio, ou de qualquer outra situação difícil.
Mariliz Vargas Straube
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