Se você sofre de insônia, precisa ter paciência para ir aos poucos restaurando a condição natural do seu sono.

Inicialmente, se tiver oportunidade, observe uma criança dormindo. Perceba a paz do semblante, a suavidade da respiração. Esta fisionomia nos mostra o lugar onde ainda habita este anjo, ao lado do Senhor, que no momento do sono, retorna suavemente à sua morada original.

Talvez a vida tenha te afastado deste lugar sagrado, para onde você ía toda vez que repousava. Você precisa aprender a voltar para lá, a habitar o seu espaço sagrado, para poder dormir finalmente. Você pode voltar para lá sim, e dormir novamente feito um anjo, ou muito próximo disso. Pois existem coisas que deixamos na infância, como esta entrega profunda que é própria do sono dos anjos e das crianças. Mas permita-se observar o magnífico quadro de uma criança dormindo, totalmente entregue nos braços do Senhor. Saiba que assim, você também poderá ficar se aprender a ir voltando para à sua natureza, para a pureza do seu coração, onde ainda vive uma criança, inquieta, vibrante, extremamente crédula e pura. Uma criança capaz de se entregar, de pular de cima do beliche para os braços do pai, que a aguarda com um sorriso. E ela se joga inteira, sorridente, com a certeza de que será amparada.

Você precisa se levar para dormir e contar esta historinha para você: a da criança que se joga do balanço, que se arremessa no espaço com a convicção de que será amparada.
- Mesmo você tendo crescido e hoje, dono do conhecimento e de todas as informações que o levam a descrer e sabendo que nem sempre é amparado.
- Mesmo sabendo que a vida prega peças, que se tem que desconfiar de tudo.
- Mesmo assim, quando você for dormir, volte a ser a criança que brinca de se soltar, de se deixar cair, porque, mesmo que doa, passa.
- Mesmo que você caia, depois se levanta. Pois o importante é brincar, o importante é viver. E a criança que existe em você sabe disso melhor do que ninguém, por isso agora é a hora da sua criança te colocar pra dormir.

Então, boa noite – e durma como os anjos.

Mariliz Vargas Straube