Arquivo de Novembro de 2009
Diversos admin em 28 Nov 2009
Sobrevivendo às Perdas
Perda, falta, ausência, saudade!
Tudo o que foi vivido a dois ou mais, e que agora já não é possível compartilhar!
Nesse momento de perda, a dor se instala no coração e podemos lidar com ela de muitas maneiras, para tentar seguir em frente.
Questionamentos e pensamentos são inevitáveis:
- Por que Deus permitiu que isso acontecesse comigo?
- Não é justo para uma pessoa como eu que sempre foi religiosa, boa…
- Pra que continuar vivendo?
- Nada mais tem graça….
- A vida foi muito cruel comigo!
- O melhor seria morrer do que suportar tanta dor…
E assim, o ser humano vai perdendo o sentido maior de sua própria vida e se acomodando na dor, para não mais viver. Tudo isso porque construiu sua vida na vida do outro. Se a do outro acaba, é mais fácil acabar com a própria, morrendo em vida.
Todo ser humano passa por uma ou mais perdas no decorrer da sua existência.
Jesus perdeu seu pai José, mas não perdeu a confiança e a fé em Deus Pai. Ele sabia que era preciso viver a dor da perda, mas também sabia que era essencial continuar a viver a sua própria vida. Jesus sabia que a vida de José na Terra terminara, mas a eternidade da vida de José era uma certeza. Ele ficou sem o pai, teve que consolar a sua mãe e realizou a missão que Seu Pai Celeste lhe incumbiu.
Maria perdeu José, seu esposo, companheiro de lutas e alegrias. Mas não perdeu a fé.
Maria perdeu seu filho Jesus. Participou da sua vida, do seu crescimento, das suas dores e alegrias. Mas também viveu a dor maior, quando seu amado filho Jesus, foi assassinado. Perdeu o que lhe era mais caro, mas não perdeu a fé. E Maria era boa, religiosa… Mas, apesar da perda, continuou vivendo sua vida até o momento final. Ela sabia que precisava testemunhar o Amor manifestado, apesar da perda do filho amado, sem revolta, com saudade, sem desespero, porque Maria sabia que a eternidade é para todos e, portanto, não existe separação para sempre.
E o ser humano ainda não aprendeu…. se acha vítima das perdas.
Quando você perde alguém, você tem o direito de sentir a dor, o vazio, o conflito, a saudade. Você só não tem o direito de se abandonar e deixar de se amar e de viver.
A partir do momento em que você retornar à sua essência, ao seu coração, verá que a força de Deus aí está para impulsioná-lo para a vida, para a alegria sem culpa, pois desde o início da vida nos sabemos da certeza da morte. Mas a morte só deverá vir quando tiver que acontecer. E nessa certeza, somente a vida é para ser usufruída por você.
A forma pela qual encaramos a perda, determinará a nossa própria libertação, o nosso desapego e a certeza de que nascemos para viver tudo o que a vida tem para nos oferecer, inclusive a perda.
Mariliz Vargas
Vida admin em 03 Nov 2009
O Desafio de Ser Saudável
Quantos realmente querem ser saudáveis? O quanto a dificuldade e, muitas vezes, a doença, não servem para mascarar a nossa própria preguiça de viver? O quanto nos agarramos às dores que sentimos, com medo de que a saúde nos obrigue a ir para a vida que tanto tememos, e a nos darmos o direito de viver tudo o que queremos? O quanto a doença nos impede de enxergar o outro como ele realmente é, e a nós mesmos do jeito que somos?
Muitos são os que se queixam de dores, muitos são os que sofrem devido a doenças físicas e emocionais, mas poucos sabem que podem ter transformado a doença em uma forma de vida. Estar saudável significa não esconder-se mais das situações que se apresentam, não camuflar mais a própria preguiça e a própria vaidade, atrás de uma impossibilidade física, emocional ou mental; significa ir à luta, e se deparar com os próprios erros e dificuldades, com as frustrações e as adversidades da vida, ou seja, tudo aquilo que sempre evitamos. Não que a doença seja inventada pela pessoa, mas o que precisamos perceber, é como tantas vezes ela é a única saída para um Ser que não consegue admitir a sua própria humanidade, a sua igualdade em relação a todos que o cercam. Outros ainda confundem o “estar saudável” com ser perfeito e condenam-se a uma vida de espera, onde aguardam agoniados o momento onde estarão aptos a viver e ir atrás daquilo que desejam.
Você quer verdadeiramente se curar? Você quer realmente ser uma pessoa saudável? Se você quer já existe ajuda, sempre existirá ajuda para aquele que verdadeiramente quer se curar. Você pode demorar a encontrar aquilo que o fará desvencilhar-se das suas dificuldades, porém, mais difícil do que desvencilhar-se delas é não precisar mais delas.
É impressionante como as pessoas se agarram às suas dificuldades, como precisam sentir que tudo é realmente muito difícil, para somente assim, terem a desculpa de não fazer nada. Pensam o dia inteiro em como seria maravilhoso se pudessem viver aquilo que tanto desejam, caso fossem mais saudáveis, ou estivessem em melhores condições, ou fossem mais fortes. Mas, na verdade, fogem de ter que assumir os riscos da vida, fogem da possibilidade de viver toda uma gama de sentimentos, muitas vezes temidos pelas suas mentes em sofrimento. Sofrimento este decorrente, muitas vezes, de situações de dores vividas anteriormente. A doença surge como um caminho mais seguro e mais garantido de evitar tudo o que é imprevisível e, por isso, temido do por um Ser que já sofreu pelos golpes da vida. Esta é, na verdade, uma das inúmeras armadilhas onde a mente humana cai, na tentativa de proteger a vida. Na sua limitação, comete o equívoco de atentar contra aquilo a que se propõe proteger. E se a mente cai em uma armadilha destas, causadora de tanto sofrimento e dor, certamente é possível libertá-la.
Não seja condescendente com a dor. Não condene-se a vivê-la como uma contingência da vida. Liberte-se dela, pois viver pleno e saudável é tudo o que você precisa e tem direito, que seja então aquilo que você realmente quer.
Mariliz Vargas

imagem: internet
